CRÔNICA DE UM SEXAGENÁRIO
“Ensina-nos
a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12).
Hoje, dia 17 de setembro de 2017, completo mais um ano de vida; o sexagésimo.
A partir de hoje, poderei entrar e sair pela por dianteira do ônibus; usar os
estacionamentos para idosos; ficar na fila preferencial. Bem, mas o que isto
traz de vantagem para mim? Bem, vivendo num país como o nosso, posso dizer,
muito pouco, ou nada. Parece que as desvantagens, serão bem maiores.
E pensar que a minha primeira memória, me reporta aos tempos da minha
modéstia infância, oriunda de um lar pobre, formado a partir de duas pessoas
que se tornaram exemplos de vida para mim e para os meus irmãos, Marta, Miriam
e Ivanil Jr., pela ordem. Esta primeira memória, me tele transporta para os
meus, aproximadamente quatro anos de idade, em nossa casa onde nascemos todos os
filhos do seu Ivanil e dona Conceição, situada à rua Afonso Pena, número 5, na
cidade de Caruaru. Minha irmã mais velha, Marta, eu e a então pequena irmã
Miriam, observávamos as movimentações da chegada de um novo irmãozinho;
tratava-se de Ivanil Júnior, o “Suçula”, como mamãe chamava.
| Minha família: Max, Suzy, Davi, Hellen, Eu, Jane, Saulo, Tâmaha |
Alguns reveses aconteceram nestes sessenta anos, entre os quais destaco:
1) a perda de entes queridos, pela ordem: minha sogra Lindalva (2001), meu
querido pai Ivanil (2002), meu sogro Abdias (2007) e minha mãe Conceição (2016),
esta em ditosa velhice; 2) no que se concerne a vida profissional, também perdi
muitas coisas: empregos (fui funcionário do Banco do Estado de Pernambuco,
concursado aprovado na Caixa Econômica Federal – este é um drama que deixo para
falar dele noutra ocasião; empresas como a Comarel, a D&M Informática, a
Controller, também se foram. Com elas o sonho de estabilidade profissional, e
outras pequenas coisas que possuíamos.
Contudo, as vitórias foram muito maiores, pois Deus nunca nos desamparou,
mas esteve sempre junto, suprindo todas as necessidades, mesmo quando passamos
por um deserto que durou seis anos. Como foi difícil. Como sofri. Como doeu. Naquele
tempo, no qual não podíamos comprar nada, nem o que comer, beber, vestir e
calçar. Deus não nos desamparou, mas, supriu nossa necessidade através de
familiares, amigos e irmãos. Eu sou muito grato por isso. Olho para trás e me
pergunto: Como passamos por aquilo? Como foi difícil, mas aprendemos a depender
de Cristo.
Bem hoje estou aqui, à 1:46 de 17/09/2017, tentando escrever algo para
agradecer a Deus por todos os seus benefícios para comigo e com a minha
família. Olho para trás e ainda me sinto um garoto, que ainda não aprendeu a
contar os dias, 1, 2, 3, e assim sucessivamente, até 60, por isso, ainda, não
alcancei um coração sábio. Como me acho imperfeito, indigno, imaturo, infantil,
incompetente, miserável e carente da graça e misericórdia de Deus. Agora fico a
refletir, quanto tempo de vida, ainda me resta? Qual será a duração da trajetória
da minha vida? O que me vem a mente é: descansa somente, pois, o Senhor teu
Deus está no controle de tudo e ao final, o seu nome será glorificado, mesmo
que você esteja em sofrimento, pois a sua graça lhe basta.
Bem, voltando a realidade, encontro quietude em meu coração, para dizer
com todas as minhas forças: Obrigado Senhor por mais um ano de vida, por tudo
que fizestes, fazes e iras fazer por mim, e por minha família, especialmente,
pela bênção da salvação da minha alma. E peço: ensina-me a contar os meus dias,
para que eu alcance coração sábio, para a tua honra e glória!
Amém!
Do seu filho,
Marcos
André Marques

