sábado, 16 de setembro de 2017

CRÔNICA DE UM SEXAGENÁRIO

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12).
Hoje, dia 17 de setembro de 2017, completo mais um ano de vida; o sexagésimo. A partir de hoje, poderei entrar e sair pela por dianteira do ônibus; usar os estacionamentos para idosos; ficar na fila preferencial. Bem, mas o que isto traz de vantagem para mim? Bem, vivendo num país como o nosso, posso dizer, muito pouco, ou nada. Parece que as desvantagens, serão bem maiores.
E pensar que a minha primeira memória, me reporta aos tempos da minha modéstia infância, oriunda de um lar pobre, formado a partir de duas pessoas que se tornaram exemplos de vida para mim e para os meus irmãos, Marta, Miriam e Ivanil Jr., pela ordem. Esta primeira memória, me tele transporta para os meus, aproximadamente quatro anos de idade, em nossa casa onde nascemos todos os filhos do seu Ivanil e dona Conceição, situada à rua Afonso Pena, número 5, na cidade de Caruaru. Minha irmã mais velha, Marta, eu e a então pequena irmã Miriam, observávamos as movimentações da chegada de um novo irmãozinho; tratava-se de Ivanil Júnior, o “Suçula”, como mamãe chamava.
Minha família: Max, Suzy, Davi, Hellen, Eu, Jane, Saulo, Tâmaha
O tempo foi passando, e aos dez ou doze anos, refletia: não tenho expectativa de viver muito tempo. Achava que não chegaria aos vinte anos, mas cheguei. Aos vinte, pensava, não chegarei aos trinta, cheguei e antes mesmo de chegar aos trinta, Deus me deu quatro joias. Uma linda mulher, Jane, e três preciosidades: Hellen, Tâmaha e Max, meus três filhos. Quando cheguei aos trinta, pensava, acho que não viverei até aos quarenta. Aos quarenta e três anos, Deus me chamou para o ministério e, eu continuava perguntando: será que chegarei aos cinquentas? Cheguei! E aos 51 anos Deus me abriu as portas para que eu voltasse ao Seminário Presbiteriano do Norte, onde havia estudado e me formado seis anos antes, não somente para ensinar, mas também para dirigi-lo. E eu, continuava pensando comigo mesmo: será que chegarei aos sessenta? Não é que cheguei! É, acho que estou no lucro!
Alguns reveses aconteceram nestes sessenta anos, entre os quais destaco: 1) a perda de entes queridos, pela ordem: minha sogra Lindalva (2001), meu querido pai Ivanil (2002), meu sogro Abdias (2007) e minha mãe Conceição (2016), esta em ditosa velhice; 2) no que se concerne a vida profissional, também perdi muitas coisas: empregos (fui funcionário do Banco do Estado de Pernambuco, concursado aprovado na Caixa Econômica Federal – este é um drama que deixo para falar dele noutra ocasião; empresas como a Comarel, a D&M Informática, a Controller, também se foram. Com elas o sonho de estabilidade profissional, e outras pequenas coisas que possuíamos.
Contudo, as vitórias foram muito maiores, pois Deus nunca nos desamparou, mas esteve sempre junto, suprindo todas as necessidades, mesmo quando passamos por um deserto que durou seis anos. Como foi difícil. Como sofri. Como doeu. Naquele tempo, no qual não podíamos comprar nada, nem o que comer, beber, vestir e calçar. Deus não nos desamparou, mas, supriu nossa necessidade através de familiares, amigos e irmãos. Eu sou muito grato por isso. Olho para trás e me pergunto: Como passamos por aquilo? Como foi difícil, mas aprendemos a depender de Cristo.
Bem hoje estou aqui, à 1:46 de 17/09/2017, tentando escrever algo para agradecer a Deus por todos os seus benefícios para comigo e com a minha família. Olho para trás e ainda me sinto um garoto, que ainda não aprendeu a contar os dias, 1, 2, 3, e assim sucessivamente, até 60, por isso, ainda, não alcancei um coração sábio. Como me acho imperfeito, indigno, imaturo, infantil, incompetente, miserável e carente da graça e misericórdia de Deus. Agora fico a refletir, quanto tempo de vida, ainda me resta? Qual será a duração da trajetória da minha vida? O que me vem a mente é: descansa somente, pois, o Senhor teu Deus está no controle de tudo e ao final, o seu nome será glorificado, mesmo que você esteja em sofrimento, pois a sua graça lhe basta.
Bem, voltando a realidade, encontro quietude em meu coração, para dizer com todas as minhas forças: Obrigado Senhor por mais um ano de vida, por tudo que fizestes, fazes e iras fazer por mim, e por minha família, especialmente, pela bênção da salvação da minha alma. E peço: ensina-me a contar os meus dias, para que eu alcance coração sábio, para a tua honra e glória!
Amém!
Do seu filho,
Marcos André Marques



2 comentários:

  1. Maravilhoso!Esta Benção toda foi dada através do Grande cuidado, que O SENHOR têm para com aquele que vive, O AMOR de nosso DEUS,a força de SANÇÃO,a paciência de JÓ e a sabedoria de SALOMÃO!demonstrando assim, que é uma pessoa sábia pois têm O MESTRE JESUS Plantado em seu Coração.Parabéns ao Escolhido do SENHOR!

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  2. Com os olhos em lágrimas conclui a leitura do seu texto pastor Marcos, pois me identifico muito com toda sua trajetória. É o seu dia, mas eu que fui presenteado com mais um ensinamento. Deus o conserve!!!

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